{"id":29,"date":"2016-04-12T19:21:58","date_gmt":"2016-04-12T19:21:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rdias.net\/?page_id=29"},"modified":"2016-04-12T19:49:08","modified_gmt":"2016-04-12T19:49:08","slug":"romance-de-duas-cidades","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.rdias.net\/?page_id=29","title":{"rendered":"Romance de Duas Cidades"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-41\" src=\"http:\/\/www.rdias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/RomanceDuasCidades-199x300.jpg\" alt=\"RomanceDuasCidades\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.rdias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/RomanceDuasCidades-199x300.jpg 199w, http:\/\/www.rdias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/RomanceDuasCidades.jpg 547w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/p>\n<p>Num passado recente, um t\u00e9cnico de inform\u00e1tica resolve mudar de vida; uma secret\u00e1ria resolve mudar de pa\u00eds. De alguma forma suas vidas se entrela\u00e7am e Rio e Nova Iorque passam a ser os cen\u00e1rios de seus desencontros.<\/p>\n<p>Do cap\u00edtulo 1:<\/p>\n<p><strong>Nova Iorque. Ano 2000.<\/strong><\/p>\n<p>Ana estava vagamente\u00a0inquieta. Thomas estava tomando banho, a transa fora regular \u2013 r\u00e1pida, mas aceit\u00e1vel \u2013 e ela esperava a hora de chegar em casa e contar \u00e0s colegas que havia sa\u00eddo com um americano de verdade. Era uma brincadeira recorrente entre elas desde que Cristina sa\u00edra com um rapaz 15 dias antes, um italiano que ela jurava ser nativo. Parecia o Sylvester Stallone, tinha o f\u00edsico do Sylvester Stallone e, para sorte da quase monoglota Cristina, tinha o vocabul\u00e1rio do Sylvester Stallone.<\/p>\n<p>Nova Iorque ainda a assustava. Era geograficamente menor do que esperava, mas infinitamente maior emocionalmente, se \u00e9 que tal par\u00e2metro era aplic\u00e1vel a um local. Todos os lugares-comuns que tinha ouvido a respeito da cidade eram verdadeiros, da multiplicidade cultural at\u00e9 a antipatia vigente. Ainda tinha medo de sair \u00e0 noite, resqu\u00edcio de seu Rio de Janeiro, mas ia se adaptando. Agora mesmo n\u00e3o ficaria confort\u00e1vel em sair sozinha. Thomas morava no Bowery, uma zona meio estranha aonde jamais tinha ido, mas como ele tinha carro, coisa rara na cidade, n\u00e3o se preocupava muito. Ainda eram umas 11 horas, talvez beliscassem alguma coisa, quem sabe ele se animaria e fariam de novo, esperando em Deus que fosse um pouquinho mais demorado, ent\u00e3o a levaria em casa, talvez mandasse umas flores amanh\u00e3&#8230; mas continuava inquieta. Era a primeira vez nos seus 28 anos que sa\u00eda com algu\u00e9m assim, balc\u00e3o de bar, drinque e cama. Frequentemente sonhara com isso, lhe atribu\u00eda um charme cosmopolita e liberado, mas na pr\u00e1tica achou a coisa toda meio fria. Se sentia mais f\u00e1cil que fatal, e decidiu que assim que Thomas sa\u00edsse do maldito banheiro ela ia querer um abra\u00e7o. Dos grandes.<\/p>\n<p><strong>Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<p>Paulo tentava n\u00e3o acender um cigarro. Largara mais ou menos o v\u00edcio j\u00e1 h\u00e1 um ano, mas nessas ocasi\u00f5es sentia uma falta brutal. Pensou em buscar um copo de vinho na cozinha, mas n\u00e3o tinha for\u00e7as. N\u00e3o pelo esfor\u00e7o despendido, mas pelo cansa\u00e7o da companhia. Mal chegara em casa j\u00e1 se arrependera. Ela entrou, chutou um sapato para cada lado da sala, eram sapatos enormes, pesados, altos, e foi remexer seus CDs. Tirou todos da ordem, n\u00e3o gostou de nenhum, se conformou com uma colet\u00e2nea de \u00e1rias de \u00f3pera. Duvidava que a mo\u00e7a conhecesse qualquer uma delas, mas evidentemente ela tinha que manter o personagem. Tirou a jaqueta de brim, meio sujinha, tirou a miniblusa, tamb\u00e9m meio sujinha, n\u00e3o usava soutien, tirou a mini-saia, ficou de calcinha, que ele fervorosamente esperava que fosse mais limpa que o resto, e as meias coloridas que iam acima do joelho. Combinavam com o cabelo vermelho e o piercing do mamilo esquerdo, ali\u00e1s bem maior que o direito. Os seios eram bastante sim\u00e9tricos, mas os mamilos eram completamente desproporcionados, um parecia uma alcaparra, o outro lembrava uma ventosa de flecha de brinquedo. E branca, muit\u00edssimo branca, e muito magra, anor\u00e9xica. Ao se virar, deixou \u00e0 mostra uma tatuagem que lembrava vagamente uma alcachofra vermelha, seguida de uma serpente que desaparecia entre as n\u00e1degas mi\u00fadas. Nesta hora ele duvidou que fosse conseguir qualquer rea\u00e7\u00e3o sexual eficiente, mas <em>noblesse oblige<\/em>, e at\u00e9 que, honestamente falando, n\u00e3o fora de todo ruim.<\/p>\n<p>Resolveu, enquanto se preocupava com o cheiro de maconha que vinha do banheiro, que j\u00e1 n\u00e3o tinha mais idade para esse tipo de coisa. Quando mais jovem, achava que a vida era conhecer algu\u00e9m, saber seu nome e ir para a cama com ela. OK, o quesito dois era dispens\u00e1vel \u2013 e, na pr\u00e1tica, tamb\u00e9m pulava o terceiro, resolvendo tudo sozinho. Agora, aos 33, achava que n\u00e3o seria de todo mau ter com quem bater um papo depois. Mas no momento s\u00f3 queria que ela sa\u00edsse do banheiro para deix\u00e1-la em casa. Parecia que ela morava em Santa Teresa, o que significava uma boa dist\u00e2ncia desde o Leblon. Quanto mais cedo sa\u00edssem, melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num passado recente, um t\u00e9cnico de inform\u00e1tica resolve mudar de vida; uma secret\u00e1ria resolve mudar de pa\u00eds. De alguma forma suas vidas se entrela\u00e7am e Rio e Nova Iorque passam a ser os cen\u00e1rios de seus desencontros. 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