{"id":26,"date":"2016-04-12T19:21:45","date_gmt":"2016-04-12T19:21:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rdias.net\/?page_id=26"},"modified":"2016-04-12T19:50:05","modified_gmt":"2016-04-12T19:50:05","slug":"parusia","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.rdias.net\/?page_id=26","title":{"rendered":"Par\u00fasia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-33\" src=\"http:\/\/www.rdias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/CapaParusia-188x300.jpg\" alt=\"CapaParusia15x21.jpg\" width=\"188\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.rdias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/CapaParusia-188x300.jpg 188w, http:\/\/www.rdias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/CapaParusia-768x1229.jpg 768w, http:\/\/www.rdias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/CapaParusia-640x1024.jpg 640w, http:\/\/www.rdias.net\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/CapaParusia.jpg 1100w\" sizes=\"auto, (max-width: 188px) 100vw, 188px\" \/><\/p>\n<p>Brasil, s\u00e9culo XXI. Um cometa n\u00e3o esperado surge nos c\u00e9us do Brasil. A popula\u00e7\u00e3o especula se n\u00e3o seria a segunda vinda de Jesus, anunciada por essa &#8220;estrela&#8221; (a &#8220;Par\u00fasia&#8221; do t\u00edtulo). Um casal, ela gr\u00e1vida, \u00e9 expulso de suas terras; um golpe de estado sacode o pa\u00eds, um bispo em crise espiritual aguarda a morte, vidas simples se entrela\u00e7am num quadro de crise extrema.<\/p>\n<p>Do Cap\u00edtulo 1 da Segunda Parte:<\/p>\n<p>ii)<\/p>\n<p>Na cidade morava Mara, a mo\u00e7a mais bonita, a mais cobi\u00e7ada, a mais cortejada. Era o sonho do filho do meio do fazendeiro e do \u00fanico do meeiro. Lucas e Paulo, amigos de inf\u00e2ncia, repartiram brinquedos (primeiro de Lucas, depois de Paulo), roupas (primeiro de Lucas, depois de Paulo), comida (primeiro Lucas, depois Paulo), mas evidentemente agora era diferente. Diga-se a seu favor que para ela o dinheiro ou a falta dele n\u00e3o fazia pender a balan\u00e7a para nenhum lado, mas um carro \u00e9 sempre melhor que um burro. E o primeiro beijo foi na boca de Lucas, a primeira jura no ouvido de Lucas, a primeira cama a de Lucas. Disso tudo Paulo soube, e calou. Manteve seus esfor\u00e7os na labuta, tentando um jeito de continuar a estudar. Enquanto os filhos do fazendeiro eram doutores, ele acabara de terminar o segundo grau, aos trancos e barrancos. Ajudar o pai de sol a sol era o melhor jeito de esquecer a morena vi\u00e7osa, os olhos pretos, a perna roli\u00e7a&#8230; Se se permitisse, choraria ao lembrar dos olhos de Mara. N\u00e3o permitindo, seus olhos o desobedeciam. Agora ele a sabia fora de alcance, paci\u00eancia. Sabia que algum dia a esqueceria. Num futuro distante, com certeza.<\/p>\n<p>iii)<\/p>\n<p>-N\u00e3o, Mara, n\u00e3o posso ficar mais. Tenho que ir p\u2019ra casa, tem um pessoal do Rio me esperando.<\/p>\n<p>-Mais um pouquinho s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>-N\u00e3o d\u00e1, meu bem, amanh\u00e3 a gente se v\u00ea.<\/p>\n<p>Saiu da casa velha que a fam\u00edlia h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es usava para a mesma coisa, onde seus irm\u00e3os bastardos provavelmente foram produzidos, e correu para a sede da fazenda. Mo\u00e7o viajado, rapidamente se entediara dos limitados horizontes de Mara, e prato mais suculento e substancioso o esperava em casa: a filha do candidato a comprar as terras.<\/p>\n<p>Num acordo t\u00e1cito, Mara saiu 15 minutos depois, e sem ter o que fazer, resoveu sair sonhando pela estrada.<\/p>\n<p>iv)<\/p>\n<p>O \u201cpessoal do Rio\u201d era loura, bonita, falava franc\u00eas e muito imaginativa. Sexo na mata era coisa que ela nunca havia experimentado, ent\u00e3o seu anfitri\u00e3o n\u00e3o podia fazer uma desfeita destas. A porteira tinha umas travessas bem a feitio para este mister, e a essa hora ningu\u00e9m apareceria, com certeza. A n\u00e3o ser uma caipira apaixonada, que, \u00e0 falta do que fazer, resolvera andar estrada a dentro, para ver se via o amado por uma janela, ou por uma porta aberta.<\/p>\n<p>v)<\/p>\n<p>Paulo a encontrou no fosso, arranhada, quase afogada. Passara a noite na \u00e1gua barrenta, n\u00e3o se sabia bem como ela fora parar l\u00e1, estava mal, com febre. Levou-a para casa, mandou avisar a m\u00e3e da mo\u00e7a, e cumpriu seu papel de bom car\u00e1ter. O tempo, claro, cumpriu tamb\u00e9m o seu, e em pouco tempo trocavam o primeiro beijo. Primeiro Lucas, depois Paulo, como convinha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil, s\u00e9culo XXI. Um cometa n\u00e3o esperado surge nos c\u00e9us do Brasil. 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